quinta-feira, 5 de junho de 2014

Plástico forma novas rochas na natureza e muda registro geológico da Terra

Do UOL, em São Paulo

Lixo plástico derretido em praias, misturado a sedimentos, fragmentos de lava basáltica e detritos orgânicos, como conchas, é capaz de produzir um novo tipo de material rochoso, segundo conclusão de novos estudos divulgados recentemente.
O novo material, apelidado de plastiglomerate, permanecerá para sempre no registro rochoso da Terra, e no futuro pode servir como marco geológico do impacto da humanidade no planeta, afirmam pesquisadores.
Lixo plástico é um problema mundial que afeta hidrovias, mares e oceanos, de acordo com o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, organização internacional que trabalha para proteger a vida animal e preservar o meio ambiente. Produzido pela primeira vez da década de 1950, o plástico não é degradado facilmente pela natureza e estima-se que persista no meio ambiente por centenas de milhares de anos. Detritos plásticos também são leves e, por isso, não costumam ser enterrados, tornando-se parte do registro geológico permanente.
 
Leia mais em: http://zip.net/blnyXR

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Baleia jubarte sai da lista de espécies em extinção

Baleia jubarte sai da lista de espécies em extinção


 

Do UOL, em São Paulo
  • Luis Robayo/AFP












O aumento da população da baleia jubarte fez com que o animal saísse da lista de espécies ameaçadas de extinção. O anúncio foi feito pelo Ministério do Meio Ambiente, nesta quinta-feira (22), em Brasília, junto com um pacote de ações de proteção da fauna brasileira.
De acordo com a ministra da pasta, Izabella Teixeira, o aumento da população da baleias é resultado de ações governamentais, aliadas aos esforços da sociedade civil. Atualmente, foram contabilizados 15 mil exemplares, enquanto, na década de 1980, o total era de apenas 500 espécies vivas.
Segundo dados do ministério, 1.051 espécies de animais brasileiros estão ameaçadas de extinção, entre as 7.647 espécies avaliadas.

 
Para Teixeira, isso se deve à persistência e a uma visão de longo prazo que contou com medidas como a proibição da captura da espécie. A definição de rotas das embarcações para evitar colisões, a criação do santuário das baleias no Brasil e da Unidade de Conservação de Abrolhos também foram importantes para preservar a espécie.
Para dar sequência a preservação de espécies ameaçadas de extinção, foi anunciada a criação do Prêmio Nacional da Biodiversidade. O objetivo é consagrar entidades nacionais que atuem na conservação da biodiversidade.
O Instituto Baleia Jubarte e a Petrobrás receberam uma menção honrosa por conta dos serviços prestados à proteção da espécie e, segundo a ministra, são consideradas as primeiras entidades a inaugurar a premiação.
Uma força-tarefa entre vários órgãos pretende garantir a preservação de outras espécies da fauna brasileira. Equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Federal atuarão no combate a ilícitos ambientais com a caça de fauna ameaçada. Entre os animais contemplados pela medida, estão o peixe-boi da Amazônia, o boto cor-de-rosa, a arara azul de lear, a onça pintada e o tatu-bola.
Instruções normativas dos ministérios do Meio Ambiente e da Pesca e Aquicultura estabelecerão regras para a captura de diversos animais. A partir de janeiro de 2015, será iniciada a moratória da pesca e comercialização da piracatinga por cinco anos, com o objetivo de proteger o boto vermelho e os jacarés, usados como isca.
 
Leia mais em: http://zip.net/bpnsRj

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Pescador captura tartaruga rara de 45 kg nos Estados Unidos

 

 
Um pescador capturou, por acaso, uma rara tartaruga-aligátor, na última segunda-feira, no Lago Eufala, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Dave Harrell‎ estava à procura de bagres, quando pegou com seu anzol o animal gigante, com carapaças duras e presas, que mais parecem de um crocodilo. Antes de devolvê-lo a natureza, o norte-americano fez uma foto com o animal, divulgada no Facebook, atraindo a atenção de internautas. As informações são do Daily Mail.
De acordo com a publicação, o animal, que pesa em torno de 45 kg, foi fisgado por Harrell durante a manhã. Impressionado com a aparência do bicho, o pescador o segurou e pediu a um amigo que o acompanhava para fazer uma foto.
A imagem foi publicada no perfil do Departamento de Proteção a Vida Selvagem de Oklahoma no Facebook. Logo, inúmeros internautas comentaram o achado do pescador. “Impressionante!”, descreveu um deles.
O animal foi devolvido ao rio sem ferimentos. Segundo especialistas, a espécie habita lagos e pântanos e se alimenta de pequenos peixes, no entanto, é rara. Tanto que, atualmente, nos Estados Unidos, há uma campanha de proteção a ela.

Foto:  Reprodução / Facebook / Oklahoma Department of Wildlife Conservation (ODWC)


Fonte: http://extra.globo.com/noticias/mundo/pescador-captura-tartaruga-rara-de-45-kg-nos-estados-unidos-12487240.html#ixzz31nARBHeA

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ave que bota ovo azul está ameaçada de extinção


 

Do UOL, em São Paulo
  • Acervo Fundação O Boticário/Valdir Gonçalves/Divugação
    Os macucos fazem ninhos no chão e os machos são os responsáveis por eles Os macucos fazem ninhos no chão e os machos são os responsáveis por eles
Ovos coloridos costumam ser vistos em algumas vitrines de bares e lanchonetes. Mas você sabia que existe um ovo naturalmente azul? O macuco, ave ameaçada de extinção que vive na Mata Atlântica, bota ovos de cor azul-esverdeada.

  • A espécie se parece com galinhas, mas é parente das emas
Valdir Gonçalves, funcionário da Reserva Natural Salto Morato, no Paraná, teve a sorte de encontrar um desses! Ele é azul para se confundir com as folhas secas do solo, onde a espécie os choca.
"Os ovos brancos seriam muito mais chamativos. A coloração verde-turquesa muda com o passar dos dias e eles ficam mais escuros", explica Marion Letícia da Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Conheça o macuco
Cada ninhada tem seis ovos, em média. Os machos da espécie são quem chocam e protegem os ovos, além de cuidarem dos filhotes quando eles nascem. Ainda bebês, os  macucos ficam sob as asas do pai. Quando completam seis dias já conseguem subir em galhos de até um metro.
Os macucos se parecem com galinhas, mas não são parentes delas. "Estas aves têm as emas como primas mais próximas", conta Marion.
Por isso, e pelo fato de ser uma espécie quase extinta, é difícil encontrar uma ave como essa por aí.
Leia mais em: http://zip.net/bwm54k

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Empresa cria jardim no telhado e diz cortar gasto de ar-condicionado em 40%

Uma incorporadora, que antes desmatava terrenos inteiros para implantar imóveis, resolveu mudar de atividade e começar a elaborar projetos que valorizam o meio ambiente. A empresa aplica mudas de plantas em telhados e paredes de empreendimentos novos e antigos, transformando os espaços em verdadeiros jardins.














"A incorporadora tira o que é da natureza e não devolve. Queria minimizar esse impacto melhorando a qualidade do ar e reduzindo o consumo de água e energia elétrica dos imóveis", diz.
De acordo com Feijó, o telhado coberto por um gramado funciona como um isolante térmico e reduz a temperatura interna do imóvel em até 8º C. Segundo o empresário, a economia de energia elétrica em prédios comerciais que utilizam ar-condicionado pode chegar a 40% com o telhado verde.
A redução do gasto de energia é confirmada pelo coordenador do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Ênio Moro Júnior. Para o especialista, no entanto, a economia pode chegar a 15% e a redução da temperatura interna a, no máximo, 5º C.
Desde que foi criada, a empresa, com sede em Porto Alegre (RS), já implantou 250 mil metros quadrados de telhado verde, sendo 70 mil –equivalentes a quase dez campos oficiais de futebol, segundo o padrão Fifa– somente no ano passado, segundo Feijó.
O preço para instalar o telhado verde varia conforme o projeto, tamanho do imóvel e tipo de planta escolhido, de acordo com o empresário. Para casas, o valor pode chegar a R$ 10 mil. Para empresas, condomínios e hotéis, o custo pode ser acima de R$ 100 mil.

Água captada da chuva, pia e chuveiro pode irrigar telhado 

Depois de instalado, o telhado verde necessita de um sistema de irrigação para o dono cuidar da sua limpeza e conservação, segundo Feijó. Para realizar esta tarefa de forma sustentável, a Ecotelhado desenvolveu um sistema que capta água da chuva, pias, chuveiros e vasos sanitários do imóvel.
Antes de chegar ao telhado, a água captada passa por um tanque debaixo do solo, que filtra as impurezas e a prepara para a reutilizada. A mesma água pode ser aproveitada na descarga do vaso sanitário, de acordo com o empresário.
"Em prédios comerciais, onde o consumo de água não potável é maior, a economia pode chegar a 70%. Já em casas e condomínios residenciais, a redução no uso da água fica entre 30% e 40%", declara.

Imóveis antigos precisam de estrutura resistente

Moro Júnior afirma que a instalação do telhado verde em prédios já construídos exige cuidados. O motivo é que o gramado pode gerar um acréscimo de 60 kg ou mais por metro quadrado sobre a estrutura do imóvel.
"Os alicerces da casa precisam ser resistentes para suportar o peso extra. Além disso, o telhado precisará de uma camada impermeabilizante debaixo da grama e de um sistema de drenagem para evitar sobrepeso com a água da chuva. É algo que não dá para ser feito sem o auxílio de um arquiteto ou engenheiro", afirma.

Solução é tendência no mercado, mas nicho ainda é pequeno

De acordo com o professor de empreendedorismo do Insper Marcelo Nakagawa, o uso de telhados verdes é uma tendência entre as construtoras e incorporadoras de grande porte. No entanto, segundo ele, os custos de instalação e de manutenção do telhado verde dificultam uma adesão em maior escala no mercado.
"É um nicho ainda pequeno e apenas construtoras de alto padrão têm interesse em fazer um prédio com telhado verde. Hoje, dificilmente empreendimentos voltados para as classes com menor poder aquisitivo utilizariam essa solução porque encareceria demais o valor do imóvel", declara.

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Resumo sobre as principais estruturas e organelas celulares


Funcionamento do Sistema Digestório


3º Simpósio Nacional de Áreas Protegidas

III Simposio Nacional de Areas protegidas    

 
Data do evento: 28/05/2014 - 30/05/2014


Os esforços para conservar a biodiversidade enfrentam dois desafios principais: primeiro, a necessidade de destinar mais áreas para a proteção da biodiversidade e segundo, essas terras destinadas à conservação precisam ser adequadamente protegidas.
III Simpósio Nacional de Áreas Protegidas visa criar condições favoráveis para a troca de experiências e informações entre pesquisadores, profissionais e gestores de áreas protegidas, contribuindo para o fortalecimento das áreas protegidas no Brasil.
Os principais temas discutidos no simpósio serão a efetividade de manejo e a representatividade das unidades de conservação nos biomas brasileiros. Discutir estes temas possibilitará um avanço no que diz respeito à efetividade de gestão destas áreas.
A programação do Simpósio envolve também o I Encontro de Reservas Particulares (RPPNs) da Zona da Mata, promovido pela associação de proprietários de RPPNs de Minas Gerais (ARPEMG). O Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural, parceria entre a CI-Brasil e a SOS Mata Atlântica, estará representado por Mariana Machado, coordenadora do Programa. Mariana participará do debate sobre incentivos econômicos a RPPNS no dia 30/5 à tarde, apresentando a experiência do Programa.


- Veja os detalhes do evento:


Data
28 a 30 de maio de 2014

Local
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa -MG

Público Alvo
Professores universitários, pesquisadores e profissionais da área; gerentes e técnicos de órgãos ambientais; gestores de áreas protegidas; estudantes de graduação e pós-graduação;e demais interessados pela área.

Objetivo
Criar condições favoráveis para a troca de experiências e informações entre pesquisadores, profissionais e gestores de áreas protegidas, contribuindo assim para o fortalecimento das áreas protegidas no Brasil e possibilitando um avanço no que diz respeito à efetividade de gestão das mesmas

Programação
A programação está disponível no site do evento: http://www.snap2014.com.br/index.php/programacao.html .

Inscrições
Para se inscrever, acesse o site do evento: http://www.snap2014.com.br/index.php/inscricao.html .

Certificado
Os participantes receberão os certificados no dia 30, na secretaria do evento. Certificados não retirados, não serão enviados pelo correios

Outras informações:
http://www.snap2014.com.br/

5 ideias para ser sustentável plantando árvores
04/04/2014



Que as árvores tornam qualquer cidade melhor, todo mundo sabe! Amenizam o clima, purificam o ar, oferecem sombra nos dias quentes e transformam qualquer avenida em uma paisagem de grande beleza cênica. Você tem um espaço no seu jardim ou conhece alguma área da sua cidade em que esses vegetais possam ser plantados? Então, mãos à obra e confira nossas dicas!


1. Vai plantar uma árvore? Opte por espécies nativas! Áreas abertas e sem vegetação podem receber árvores de diferentes portes, velocidade de crescimento e perfil. Recomenda-se, porém, alguns passos para o sucesso do plantio, como preparo anterior da terra para extrair o capim, espaçamento correto entre as futuras árvores (média de 2,5 metros de distanciamento), adubação, irrigação diária no primeiro mês. Algumas árvores pioneiras precisam de muita luz para o crescimento inicial (aroeira, canafístula, guapuruvu), outras se desenvolvem na sombra (palmito, peroba, cedro). Pesquise com organizações especializadas e na Secretaria de Meio Ambiente de seu município quais as árvores nativas de sua região.


2. Árvores frutíferas são bem vindas! O plantio de árvores modifica e melhora o ambiente, atraindo pássaros como sabiás e bem-te-vis, que procuram larvas de insetos e transportam sementes, permitindo a chegada de uma nova diversidade de espécies vegetais.


arvores
3. Fique de olho nas regras de arborização urbana. Plantar árvores na cidade exige um conhecimento prévio das características da espécie para que não ocorram danos à planta nem ao equipamento público (fiação elétrica, rompimento da calçada por raízes, entre outros). Basicamente, as espécies devem permitir a incidência de sol, coexistir com as redes de iluminação, manter distância adequada das casas e serem de espécies de pequeno porte com raízes superficiais, entre elas estão o ipê-de-jardim, flamboianzinho, goiaba-serrana, romanzeira ou algodão-do-brejo. Busque a orientação da secretaria de meio ambiente do seu município também.


4. Pratique a agroecologia – a agroecologia é uma forma de agricultura que valoriza o potencial biológico dos processos produtivos. Aproveitando a fertilidade do solo, possui várias correntes voltadas à produção de alimentos, como a agricultura orgânica, biodinâmica ou a permacultura. A primeira mantém a fertilidade natural do solo para o manejo agrícola, sem o uso de elementos químicos. Em propriedades de pequeno e médio porte, os alimentos orgânicos compõem hoje mais de 2% da produção nacional. Já a permacultura imita a composição espacial das matas, integrando lavoura, espécies florestais, criação de animais e aspectos paisagísticos ao ambiente.


5. Produza o adubo para sua árvore! É possível produzir fertilizantes naturais a partir de lixo, com um chamado sistema de compostagem. Para isso,  deve-se preparar um composto: colocar o material orgânico num recipiente com furos e tampa, jogando cascas e restos de frutas e verduras, folhas, cascas de ovos, sobras de comida, ossos picados e terra. Deixe a composteira em local arejado e revolva o material duas vezes por semana. Coloque uma camada fina de terra sobre a matéria orgânica para evitar mal cheiro. Serão formados microorganismos que decompõem o material até surgir o húmus maduro, o que leva cerca de três meses.


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Brasil ganha Índice de Saúde do Oceano


 

Com informações da Conservação Internacional (CI-Brasil)


Pela primeira vez, o Brasil dispõe de um índice que reúne aspectos ambientais, sociais e econômicos providos pelo mar. Trata-se do Índice de Saúde do Oceano do Brasil (em inglês, OHI-Brasil), publicado hoje, 2 de abril, na revista científica PLOS ONE, que avaliou todos os 17 estados da costa brasileira, usando as melhores bases de dados disponíveis referentes a 2012. Cada estado recebeu sua própria pontuação. Sob coordenação da pesquisadora Cristiane Elfes, do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Marinha, da Universidade da Califórnia Santa Bárbara, EUA, o estudo contou com a colaboração de especialistas de universidades americanas e da ONG ambientalista Conservação Internacional.
O Brasil foi escolhido para esse levantamento regional porque possui uma das mais longas linhas de costa do mundo, uma alta diversidade biológica marinha e costeira e uma das maiores economias mundiais. A Zona Econômica Exclusiva do Brasil totaliza 3.660.995 km2 no Oceano Atlântico Sul.
Essa primeira tentativa de levantamento da saúde do oceano no Brasil fornece uma linha de base relevante a partir da qual mudanças futuras podem ser mensuradas. Também destaca onde são necessárias melhores informações que podem ajudar a guiar ações de políticas e gerenciamento em escalas nacionais e sub-nacionais.
Para Cristiane Elfes, a relevância desse indicador se dá por seu ineditismo. “Sabemos que ainda há pontos a aprimorar, mas o primeiro passo foi dado. Esperamos tornar o OHI-Brasil um programa conduzido por instituições brasileiras, para monitorar a situação dos mares em longo prazo. Essa é uma ferramenta fundamental para a tomada de decisões no ambiente marinho”, garante.
O OHI-Brasil é uma variação regional do estudo global lançado em 2012, em um trabalho colaborativo de várias universidades e ONGs, liderado por Ben Halpern, do Centro Nacional para Análise e Síntese Ecológica dos EUA, e reavaliado anualmente para incluir dados mais recentes disponíveis. Ele compara cientificamente e combina os elementos chaves de todas as dimensões da saúde do oceano – biológica, física, econômica e social – para mensurar o quão sustentável é o uso que as pessoas fazem dos recursos e serviços oferecidos pelo oceano e ambientes costeiros.
Uma das grandes dificuldades dos pesquisadores na elaboração do OHI-Brasil se concentrou na reunião de dados para alguns setores importantes, como a pesca, por exemplo, “porque eles simplesmente não existem para todos os estados”, contou Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil) e coautor do estudo. “O governo federal parou o monitoramento pesqueiro nacional em 2011 e mesmo antes disso os dados eram descontínuos no tempo e na distribuição espacial. É imprescindível que o governo gere informações básicas como estas, pois sem monitoramento não há gestão sustentável”, enfatizou Dutra.

Metas

O índice é organizado em torno de 10 metas: provisão de alimentos (pesca artesanal e aquicultura); oportunidade de pesca artesanal, produtos naturais; armazenamento de carbono; proteção costeira; subsistência e economias costeiras; turismo e recreação; identidade local; águas limpas e biodiversidade.
A pontuação de cada meta varia entre 0 e 100. Uma pontuação de 100 significa que o sistema avaliado atingiu a meta proposta (o ponto de referência), oferece todos os benefícios especificados de forma sustentável e é provável que siga dessa maneira em um futuro próximo. Uma pontuação 0 significa que, embora os dados estivessem disponíveis, o estado não desfruta de nenhum dos benefícios especificados ou ainda que esses benefícios são obtidos de maneira não sustentável.
A pontuação do Brasil no estudo nacional foi de 60. Armazenamento de Carbono (89), Proteção Costeira (92) e biodiversidade (85) – todas dependentes da saúde dos habitats marinhos – foram as pontuações mais altas das metas nacionais. Produtos Naturais (29), Turismo e Recreação (31) e Provisão de Alimentos (36) foram as pontuações mais baixas. Aquicultura (6) obteve uma
pontuação muito baixa, o que contribuiu para a queda em Provisão de Alimentos.
Conforme o estudo, a pontuação baixa para a meta Produtos Naturais indica que o país não está utilizando da maneira apropriada os recursos não alimentares disponíveis. “Seria bastante proveitoso rever essas oportunidades de produção sustentável”, garantiu Elfes. A disseminação dos benefícios do turismo a mais estados pode ajudar a melhorar a pontuação da meta Turismo e Recreação, assim como em Subsistência e Economia Costeiras. Entretanto, para isso é necessário o desenvolvimento de infraestrutura adequada para atrair e atender aos visitantes, evitando efeitos sociais e ambientais indesejados.
Já para elevar a pontuação em Provisão de Alimentos, é preciso, como aponta o estudo, que o Brasil melhore a sustentabilidade da pesca e desenvolva a aquicultura sustentável em mais estados.
Outro ponto de destaque conforme Guilherme Dutra é a pequena área hoje protegida sobre o mar, que não chega a 0,35% de áreas protegidas mais restritivas como Parques e Reservas Extrativistas, ou apenas 1,6% se consideradas também as Áreas de Proteção Ambiental. “Isso afetou negativamente vários resultados da análise. O Brasil precisa seguir o exemplo dos países que estão olhando para o oceano com cuidado, planejando os usos nesta área e protegendo os ecossistemas marinhos mais importantes. Aqui, áreas de extrema importância como a Região dos Abrolhos estão sendo destruídas pela sobrepesca e constantemente ameaçadas por atividades como a exploração de petróleo ou a carcinicultura. E o governo não consegue colocar para frente as áreas de proteção propostas”, concluiu Dutra. Atualmente, uma petição online está coletando assinaturas solicitando à Presidente Dilma Rousseff maior proteção para Abrolhos.

Estados brasileiros

Os 17 estados costeiros do Brasil foram avaliados, usando as melhores bases de dados disponíveis para todos os estados referentes a 2012, assim como dados globais que eram possíveis de ser analisados por estado. As pontuações estaduais variam de 71 (Rio de Janeiro) a 47 (Piauí). Os autores explicam que embora o Rio de Janeiro tenha obtido acima de 80 pontos em cinco metas, as outras possuem pontuações consistentemente baixas. Diferente do Piauí que, mesmo obtendo pontuações acima de 80 em três metas, foi o estado que apresentou os pontos mais baixos em seis delas. Metas baseadas em ecossistemas, incluindo Armazenamento de Carbono, Proteção Costeira e Biodiversidade, foram as que atingiram as maiores pontuações estaduais, com exceção do Rio Grande do Norte, onde a rápida expansão de fazendas de camarão tem causado altas taxas de perda de manguezais.
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A citação do artigo é:

Elfes CT, Longo C, Halpern BS, Hardy D, Scarborough C, Best BD, Pinheiro T, & Dutra GF (2014).
A Regional-Scale Ocean Health Index for Brazil. PLOS ONE 9(4): e92589.

O artigo completo online está disponível em:
http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0092589

Um resumo do OHI Brasil, dados e métodos detalhados podem ser encontrados em:
www.oceanhealthindex.org/regionals/brazil

- See more at: http://www.sosma.org.br/17496/brasil-ganha-indice-de-saude-oceano/#sthash.meMhJN4C.dpuf

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Anfíbios da Mata Atlântica estão ameaçados por mudanças climáticas

    

sapo

Um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás (UFG) revela que as mudanças climáticas que afetarão a Mata Atlântica nas próximas décadas terão graves consequências para as populações de anfíbios da floresta.
Segundo o trabalho, publicado na edição de fevereiro da revista Biodiversity and Conservation, o número de espécies e a quantidade de anfíbios devem diminuir sensivelmente em razão das alterações no clima.
Autores do estudo afirmam ainda que é provável que o padrão possa se repetir também com outros organismos, como mamíferos, aves, mariposas e plantas.
O estudo pode ser lido na Biodiversity and Conservation. Detalhes também estão disponíveis na reportagem publicada pela Agência Fapesp.
Estudos como este evidenciam a necessidade de fortalecer ainda mais a proteção das áreas de remanescentes de  Mata Atlântica, que sofrem diversas outras pressões e ameaças além das mudanças climáticas, como o desmatamento, a caça ilegal e o tráfico de animais.

- Fonte: http://www.sosma.org.br

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Australiano é multado por matar tubarão branco















SYDNEY, 13 Fev 2014 (AFP) - 

Um australiano foi multado em 16 mil dólares (cerca de 35 mil reais) por ter matado um tubarão branco jovem ao atingi-lo com seu barco e depois com uma barra de metal - informou a polícia nesta quinta-feira.

Tubarões brancos são protegidos da Austrália e sua apreensão é ilegal, assim como é proibido vender, comprar, possuir e ferir a espécie.

O departamento de New South Wales autuou o homem, identificado pela imprensa australiana como Justin Clark, de 40 anos.
Leia mais em: http://zip.net/bkmpz7

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Escudo de carne ?

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não, não são formigas atacando um inseto, este é um inseto assassino (Acanthaspis p.) , que após alimentar-se de sua presa, a utiliza para fazer um "disfarce", decorando-se com os cadáveres de sua presas.

Esses insetos assassinos fazem isso para disfarçar e confundir suas presas e também para formar um "escudo de carne" que mascara o seu cheiro, esse disfarce funciona muito bem, afastando um dos principais predadores deles, as aranhas da família salticidae...

Kingdom: Anim...alia
Phylum: Arthropoda
Class: Insecta
Order: Hemiptera
Suborder: Heteroptera
Superfamily: Cimicomorpha
Family: Reduviidae
Subfamily: Reduviinae
Genus: Acanthaspis
Species: A. petax
Binomial name
Acanthaspis petax
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Continua luta pela sobrevivência das tartarugas gigantes

 

02/02/2014 - Interação com a pesca mata centenas de adultos todos os anos e as praias de desova estão sob forte pressão para implantação de empreendimentos industriais. Leia mais. ↓
 
Continua luta pela sobrevivência das tartarugas gigantes

Tartaruga de couro ou gigante

O litoral norte do Espírito Santo, próximo à foz do Rio Doce, é a única área com concentração regular de desovas da tartaruga de couro ou gigante (Dermochelys coriacea) no Brasil. Essa espécie, considerada criticamente em perigo de extinção, está exposta a sérios riscos, como ressalta Joca Thome, coordenador nacional do Projeto Tamar: pescarias costeiras e oceânicas matam centenas de adultos todos os anos, em diversas regiões do Atlântico Sul, por onde circulam, e as praias de desova estão sob forte pressão para implantação de empreendimentos industriais. Na atual temporada (2013/14), que ainda não acabou, os números já são positivos, cerca de 40 ninhos protegidos e aproximadamente 900 filhotes dessa espécie levados ao mar em segurança. Em relação a outras espécies de tartarugas marinhas, a população das gigantes é bem menor, e por essa razão, um indivíduo tem altíssimo valor biológico, explica Thome.
Para reduzir o impacto da maior ameaça à sobrevivência desses animais, a interaçõa com a pesca, as equipes das bases do Tamar em Comboios e Povoação, estão realizando desde o mês de setembro/2013, início desta temporada, monitoramentos periódicos das redes de emalhe de superfície e fundo da Foz do Rio Doce. O trabalho, feito com o auxílio do barco Maratimba, em parceria com a Prefeitura Municipal de Linhares e apoio dos pescadores profissionais da região, já liberou com vida 4 tartarugas gigantes que ficaram presas em redes costeiras. Como acontece em todas as bases do Tamar, a parceria com a comunidade e a sociedade é fundamental para a sobrevivência das cinco espécies que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção. Ações para mitigar outras ameaças também são continuamente desenvolvidas pelas equipes.

Ocorrências - A equipe do Tamar da grande Vitória foi acionada por pessoas e instituições parceiras para dar assistência à ocorrências de 10 desovas de tartarugas gigantes, todas em praias urbanizadas e fora dos limites de monitoramento do Tamar. Entre as ocorrências, uma fêmea foi flagrada pelo Instituto de Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), na praia de Itaparica, Vila Velha, e outra foi encontrada desovando na Praia do Rio Preto, em Fundão, pela equipe do Projeto Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES). Ocorrências de tartarugas de couro também foram registradas em 2013, em outros estados, como Ceará e Santa Catarina. Resgates, reabilitações e devoluções ao mar foram bem-sucedidos, contando com o apoio de diversos amigos das tartarugas e do mar.



Galera de Floripa devolvendo a tartaruga reabilitada para seu habitat.

Tartaruga-de-couro encontrada encalhada em Laguna/ SC, na praia do Sol - Professores da UDESC e o corpo de bombeiros entraram em contato com o Tamar Floripa e auxiliaram no resgate do animal, juntamente com técnicos do FLAMA (Fundação Lagunense de Meio Ambiente). A tartaruga foi levada até a base de Florianópolis para receber tratamento. Estava sem a nadadeira anterior esquerda,provavelmente, por interação com a pesca. Não havia outro sinal externo de fratura ou debilidade, mas o animal estava apático, respondendo com dificuldade aos estímulos. Após 14 dias de tratamento, dados coletados, a tartaruga foi marcada e devolvida ao mar na praia da Barra da Lagoa, Florianópolis, em alto mar, com a ajuda de pescadores da comunidade. O animal media 1,27m de  comprimento de casco por 0,95m de largura e pesava 153 kg.


Lá vai ela... com limitações, sobreviverá livre no mar. Vai viver, lindona!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

São Paulo proíbe testes em animais pela indústria cosmética



O governador Geraldo Alckmin sancionou no dia 23/1, a Lei 777/2013, que proíbe o uso de animais no desenvolvimento de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. "Nos debruçamos sobre o tema, estudamos profundamente, inclusive a legislação internacional, ouvimos a entidade defensora dos animais, a indústria cientista, pesquisadores da Fapesp, veterinários, médicos, biólogos, enfim, ouvimos todo o setor e decidimos pela promulgação da lei," explicou.
De acordo com o governador, a legislação internacional também ajudou no debate sobre a questão, mas não foi o fator mais importante. "O fator decisivo é você proteger os animais, como deve proteger o meio ambiente, os mais indefesos. Aliás, é um princípio funcional não ter crueldade contra os animais. A legislação comparada, a legislação internacional. ajudou no debate e ouvir os setores envolvidos também," afirmou Alckmin.
Alckmin também disse que uma legislação nacional seria o ideal, mas nada impede que o Estado avance nesta legislação. "Entendemos que ainda se deve trabalhar por uma lei nacional, pois há métodos alternativos à utilização de animais, como testes in vitro e metodologia utilizando até computadores," finalizou.
A fiscalização será feita pelo Estado, por meio da Secretaria da Saúde.

Fonte: Portal do Governo de São Paulo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Maior parte dos animais brasileiros em risco de extinção está na Mata Atlântica

    



O alerta foi publicado no site O Eco, no início de janeiro: a maioria das espécies da fauna em risco de extinção no Brasil está na Mata Atlântica. A constatação se baseou no banco de dados do Ministério do Meio Ambiente, que lista as 627 espécies oficialmente reconhecidas como ameaçadas de extinção. O Eco disponibilizou um infográfico que resume a situação dos animais brasileiros ameaçados por classe e por Bioma de ocorrência.
Os animais que vivem na Mata Atlântica veem seu habitat diminuir a cada dia, ameaçado pelas diversas pressões que a floresta sofre. Hoje, restam apenas 8,5 % desta floresta que originalmente abrangia uma área equivalente a 1.315.460 km² ao longo de 17 Estados. E as unidades de conservação – criadas para proteger esse valioso patrimônio – estão abandonadas pelo poder público.
Um exemplo disso é a situação da onça-pintada: pesquisadores têm alertado para o risco de desaparecimento da espécie da Mata Atlântica brasileira. O Parque Nacional do Iguaçu é uma das áreas de ocorrência deste grande predador e já teve registro de 180 onças-pintadas. Atualmente, porém, a estimativa é de que existam apenas 18 indivíduos vivendo na área e que em 80 anos a espécie estará extinta.
Apesar disso, o Parque sofre com a caça, pesca e exploração ilegal de palmito e há muitas estradas e pequenas propriedades na região. A situação se complica com a possibilidade de reabertura da antiga Estrada do Colono dentro do Parque. O drama do Parque Nacional do Iguaçu é apenas um dos exemplos do descaso com que o Governo Federal e o Ministério do Meio Ambiente vêm tratando parques, reservas e outras áreas protegidas brasileiras – as nossas Unidades de Conservação.

 Fonte - http://www.sosma.org.br/16883/maior-parte-dos-animais-ameacados-esta-na-mata-atlantica/#sthash.9ByP2mYq.dpuf

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Cientistas descobrem nova espécie de boto no rio Araguaia

Matt McGrath
Repórter de meio ambiente da BBC News

  • Nicola Dutra/Divulgação
    O boto do Araguaia é parecido com o boto-cor-de-rosa, porém foram encontradas diferenças nos dentes e DNA O boto do Araguaia é parecido com o boto-cor-de-rosa, porém foram encontradas diferenças nos dentes e DNA














Cientistas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) descobriram uma nova espécie de boto, a
primeira descoberta desse gênero desde 1918. Eles suspeitam, no entanto, que a nova espécie encontrada já tenha vindo à tona sob risco de extinção.

No estudo publicado na revista especializada "Plos One", os pesquisadores da UFAM dizem que a espécie batizada como boto do Araguaia é uma das cinco integrantes do gênero que também inclui o boto cor-de-rosa, da Amazônia. Os pesquisadores estimam que haja apenas mil botos dessa espécie vivendo no rio Araguaia.

O boto do Araguaia teria se diferenciado dos outros familiares do gênero há mais de dois milhões de anos, segundo o pesquisador Tomas Hrbek.

"Foi tudo muito inesperado. É uma área onde as pessoas veem eles o tempo todo, já que são mamíferos grandes. Mas ninguém tinha notado (que era uma outra espécie)", disse.

As diferenças com o boto cor-de-rosa seriam o número de dentes. A nova espécie também seria menor. Mas, a maioria das diferenças foram encontradas nos genes do animal.

Ao analisar amostras de DNA de dezenas de botos dos dois rios, os pesquisadores concluíram que o do rio Araguaia era mesmo uma nova espécie.

Mas, mesmo depois destas análises, ainda pode haver questionamento.

"Em ciência você nunca pode ter certeza de nada", disse Hrbek.

"Analisamos o DNA mitocondrial, o que é, essencialmente, análise de linhagens, e não há compartilhamento de linhagens. Os grupos que vimos, os haplótipos, têm uma relação muito mais próxima entre eles do que entre outros grupos. Para isto acontecer, os grupos devem ter ficado isolados uns dos outros por um período longo", acrescentou.

"A divergência que observamos é maior do que as divergências observadas entre outras espécies de golfinhos", afirmou.

  • Nicole Dutra/Divulgação Nova espécie se diferenciou há cerca de dois milhões de anos















Fonte: BOL

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Curso de Fotografia da Natureza no RS

cartaz_curso de fotografia da natureza           

























Data do evento: 28/01/2014 - 30/01/2014

Estão abertas as inscrições para o Curso de Fotografia da Natureza com o renomado fotógrafo Zig Koch*. O curso acontece nos dias 28, 29 e 30 de março de 2014 na RPPN Maragato, em Passo Fundo (RS). Os interessados devem se inscrever até 10 de março de 2014 pelo email conservarpf@yahoo.com.br. O curso prevê aulas teóricas e práticas – com saídas a campo – que abordarão aspectos técnicos e conceituais da Fotografia da Natureza. Todas as informações sobre o curso de Fotografia da Natureza – como valores, conteúdo, dinâmica e currículo do professor – estão disponíveis neste link. Informações adicionais podem ser obtidas no email conservarpf@yahoo.com.br ou telefones (54)99828799 e (54) 99093587. ——————————————————– *Zig Koch – Fotógrafo com trabalhos voltados para fotografia de natureza, populações tradicionais e turismo. Ministra palestras e cursos, contribui em projetos culturais e educacionais, participa em expedições individuais, coletivas e internacionais, trabalhos publicados em centenas de livros didáticos, autor das fotografias de diversos livros, dentre eles “Araucária – A Floresta do Brasil Meridional”. Seu trabalho completo pode ser conferido em www.zigkoch.com.br e em seu banco de imagens www.naturezabrasileira.com.br.     

Tragédia anunciada

Artigo assinado por Roberto Klabin e Leandra Gonçalves* – originalmente publicado na edição impressa do jornal O Globo de 14/01/2014, sob o título “Um patrimônio sem mecanismos de proteção”.  
                     Lançado pelo governo em 22 de outubro do ano passado e aguardado com expectativa pela sociedade civil, o Plano Nacional de Contingência para grandes vazamentos de petróleo deixou em aberto questões primordiais e evidenciou que o país ainda não está preparado para lidar com esse tipo de acidente e pode colocar as riquezas da costa brasileira em risco. Com mais de 8.600 quilômetros de costa, o Brasil está intimamente ligado ao mar. A rica biodiversidade marinha tropical brasileira constitui um imenso patrimônio nacional, ainda pouco explorado pela pesquisa científica, bem pouco protegido e já bastante degradado. O litoral brasileiro também sustenta outras atividades econômicas além da exploração de petróleo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 70% da população brasileira vive na faixa situada a até 200 km do litoral. Os municípios da zona costeira abrigam 26,9% da população brasileira, ou 50,7 milhões. Desses, cerca de 4 milhões utilizam seus recursos naturais para sobreviver. Dados do Ministério da Pesca apontam a existência de quase 1 milhão de pescadores no país, responsáveis pela oferta de 1,24 milhão de toneladas de pescados por ano, sendo que cerca de 45% dessa produção é da pesca artesanal. O litoral é também um dos principais destinos turísticos do Brasil. Pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta que das seis cidades brasileiras que mais receberam turistas estrangeiros em férias no Brasil em 2012, quatro são litorâneas. No mês de novembro de 2013, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), da Câmara dos Deputados, realizou uma audiência pública para debater o Plano Nacional de Contingência (PNC). Foi, então, a primeira vez que o Plano foi apresentado para a sociedade civil e setores econômicos que atuam na costa brasileira, como a pesca e turismo e a decepção foi grande. O plano criou o Grupo de Acompanhamento e Avaliação, que é composto por Marinha, Ibama e Agência Nacional de Petróleo (ANP). Esta última foi convidada para a audiência, porém não compareceu. O grupo tem como atribuição acompanhar e avaliar o incidente, determinar o acionamento do PNC, avaliar se o incidente é de significância nacional, entre outras atividades. Porém, mesmo com todas essas importantes atribuições, nenhum dos órgãos apresenta estrutura física e de recursos humanos alocada, apta e disponível para chegar, rapidamente, ao local do incidente e agir. Espera-se que a estrutura seja disponibilizada pela própria empresa – autora do acidente. Deja vu. Em novembro de 2011, a empresa americana Chevron causou um grande acidente no mar brasileiro, no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. O tamanho inicial do vazamento foi estimado pela ANP em 330 barris por dia, ou 50 litros de óleo. No entanto, imagens de satélite da Nasa, agência espacial americana, indicaram um vazamento dez vezes maior. A extensão da mancha vista do espaço levou a um cálculo de 3,7 mil barris de óleo por dia – quantidade próxima à identificada no início do vazamento do Golfo do México (abril/ 2010), avaliado como o maior derrame acidental na história. O episódio evidenciou a falta de governança por parte dos órgãos governamentais brasileiros, uma vez que no momento da tragédia a única fonte de informação para a sociedade era a própria empresa. O governo brasileiro não contava com suas próprias condições para chegar ao local do vazamento rapidamente e avaliar seu impacto, para assim agir com rapidez e também informar, com dados precisos e transparentes, as consequências do acidente ao ambiente marinho. O plano é novo, mas a história é velha. Desde maio passado, a Fundação SOS Mata Atlântica tenta promover um diálogo com representantes dos Ministérios responsáveis e da sociedade civil e 180 dias é o prazo estipulado ao Ministério do Meio Ambiente para publicar o manual do PNC. Neste inicio de ano, fica o alerta e a atenção para que sejam estabelecidas regras claras de execução e alocadas estruturas e recursos suficientes para que o Brasil, uma potência do século 21, possa ser também uma grande potência na salvaguarda de sua zona costeira. * Roberto Luiz Leme Klabin é vice-presidente da Fundação SOS Mata Atlântica para a área de Mar; Leandra Gonçalves é bióloga e consultora da organização. - See more at: http://www.sosma.org.br/blog/tragedia-anunciada/#.dpuf